sábado, 14 de julho de 2012

Três olhos


Um dia, a tristeza, outro dia, reflexo;
Nas asas do tempo as flores de maio
 Faziam sonetos, bebiam aguardente,
 Miravam o mar ou faziam só sexo
 Nas cristas dos galos, nos seus alfarrábios,
 Enquanto mandavam a lua fazer
 Algum desjejum ou apenas dar pum;
 Os lobos tristonhos jogavam baralho,
 A vida era dura, sinuca de bico.
 Gostava de ir por aqueles lugares
 Pra ver mais de perto onde a vista não via,
 Sentir os aromas de águas de rios
 Tão límpidas, puras tal qual cristalinas,
 Pousar numa nuvem na beira da estrada,
 Compor para o asfalto um poema de amor,
 Cheirando a fumaça de tanques d`escarga.
 Depois eu voltava pra casa abatido,
 E na geladeira eu sempre encontrava
 Algum pão sovado prum lanche fazer.
 E assim saciado dormia e sonhava
 Que um dia ia ser um malandro ou freguês
 De alguma boutique de gente só fina.
 Olhei com os três olhos e vi de uma vez
 A minha tristeza, as flores de maio,
 As cristas dos galos, o pum do luar,
 A vida tão dura e aqueles lugares,
 As águas dos rios, a beira da estrada,
 Minha geladeira, meu sonho, a boutique.

2 comentários:

  1. Adorei o blog, muito lindo, amei tudo. Parabéns mesmo, vou sempre estar aqui (:

    ontendency.blogspot.com

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